Contact Us × +
Nama

Email Address*

Pesan*


Cerca de 30% das crianças menores de dois anos de idade consomem refrigerante

Cerca de 30% das crianças menores de dois anos de idade consomem refrigerante

Falha de carregamento, toque para tentar novamente

Crédito: Divulgação

Crianças brasileiras consomem desde cedo produtos com alto teor de açúcar e gordura. Estudo inédito do Ministério da Saúde realizado em 2015 revelou que 60,8% das crianças com menos de dois anos de idade comem biscoitos, bolachas e bolos e que 32,3% tomam refrigerantes ou suco artificial. Este é o terceiro volume da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para a nutricionista especialista em Nutrição Materno-Infantil, Fabiana Salvatori Guedes, o risco desse consumo cada vez mais cedo está na composição da bebida. “Como os refrigerantes são ricos em açúcar, cafeína, sódio, entre outros aditivos químicos, como conservantes, corantes, acidulantes e aromatizantes, as crianças que consomem esse tipo de bebida, podem vir a desenvolver sobrepeso, obesidade, diabetes, hipertensão, síndrome metabólica, doenças cardiovasculares, cáries, entre outras”, explica.

Atualmente, segundo ela, existe um conceito chamado “mil dias”, que abrange o período dos 270 dias da gestação mais os 365 dias do primeiro ano de vida e os 365 dias do segundo ano de vida da criança, em que a nutrição adequada durante esse período – engloba várias etapas da mãe e do próprio bebê, desde a gravidez, aleitamento materno até a introdução e diversificação alimentar - que influencia diretamente a saúde da criança tanto a curto como longo prazo. De acordo com a médica é durante essa etapa que etapas ocorre o crescimento, desenvolvimento do bebê e já se iniciam os hábitos alimentares que poderão perdurar a vida adulta. “Estudos recentes mostram que a nutrição adequada nesse período contribui para a prevenção ou desenvolvimento de doenças ao longo da vida, como sobrepeso, obesidade, diabetes, hipertensão, hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, síndrome metabólica, entre outras, as quais, observamos seu surgimento cada vez mais precoce na infância”, destaca Fabiana.

O que pode ser consumido

As alternativas ao refrigerantes são muitas e, mais do que isso, simples. De acordo com a médica, o ideal é estimular o consumo de água mineral ou filtrada sempre como primeira opção, uma vez que é a melhor maneira de manter o organismo da criança bem hidratado. “A água deve ser consumida diariamente pela criança, não podendo ser substituída por outro líquido com o objetivo principal de hidratação”, ensina.

Uma alternativa indicada pela médica é a água saborizada, preparação de leva apenas água mineral, frutas picadas e gelo. Combinações de frutas como abacaxi e hortelã, kiwi e morango, laranja, laranja e morango, mirtilo ou uva e abacaxi ou o que sua criatividade permitir. “A criatividade permite realizar a combinação de diversos ingredientes e a criança ainda poderá participar de todo o processo de preparo dessa água, o que acaba de certa forma, incentivando-a a consumi-la, uma vez que ela estará envolvida no processo do preparo da água saborizada”, lembra.

Sucos naturais – feitos com a própria fruta – e chás gelados, ambos sem adição de açúcar, assim como água de coco natural também podem ser boas opções, mas é importante lembrar que o consumo dessas bebidas, mesmo que naturais, deve ser limitado e que elas não substituem a água. “A Sociedade Brasileira de Pediatria informa que sucos naturais podem sem oferecidos eventualmente, na quantidade máxima de 150ml/dia para crianças em idade escolar, já a Academia Americana de Pediatria, informa que para crianças de 1 a 6 anos de idade, o consumo de suco de frutas deve ser limitado em 120 a 180ml/dia”, explica.

O papel dos pais

Quando as crianças são pequenas, cabe aos pais dar o exemplo. “Atualmente muitas crianças, conforme mostram as pesquisas, acabam substituindo a água por refrigerantes ou sucos industrializados com alto teor de açúcar tanto em pó quanto os líquidos, mas se formos analisar essa prática, quem acaba oferecendo essas bebidas são os adultos. A criança não tem autonomia o suficiente para comprar o refrigerante, por exemplo”, destaca a médica.

Segundo Fabiana, os pais podem incentivar a criança com o simples ato de oferecer água. “Os pais também podem oferecer as alternativas de bebidas em copos ou garrafas e squeezes diferentes dos quais a criança está acostumada, para desta forma torná-la mais atrativa, como por exemplo, servir em copos com personagens que a criança goste. Também podem deixar a criança escolher um copo de sua preferência para o consumo da água na escola ou em casa”, ensina a médica que lembra que o papel não é só dos pais, mas também da escola, dos cuidadores e familiares. “Eles devem dar o exemplo e incentivar as crianças a consumirem água ao longo do dia. A criança aprende facilmente, desde que tenha bons exemplos, dessa forma, ambos devem estimular o consumo hídrico diariamente, para que essa prática se torne um hábito na rotina da criança”.

Outra dica importante para evitar o consumo de refrigerantes é não ter a bebida frequentemente em casa, como parte da rotina alimentar. “Além disso, os pais, familiares, professores podem e devem conversar e explicar para a criança a importância e os benefícios de tomar água, a educação nutricional, pode ser feita de forma lúdica, podendo contar com o apoio das escolas em incentivar esse consumo, realizando atividades, inclusive em sala de aula com este tema, ou até mesmo, com uma simples conversa entre os pais e a criança”, finaliza.