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Crítica | Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Crítica | Valerian e a Cidade dos Mil Planetas


Valérian: Spatio-Temporal Agent é uma série de quadrinhos francesa que deu origem ao gênero de space opera — histórias épicas que acontecem no espaço — do jeito que as conhecemos hoje.
Franquias como Star Wars inspiraram-se em Valerian para ambientes, personagens e até mesmo cenas memoráveis, como a de Han Solo ficando preso em uma placa de pedra. Isso não tira o mérito de nenhuma das obras, mas serve para que possamos compreender a importância do quadrinho francês, que foi publicado de 1967 até 2010.
Luc Besson é fã declarado da HQ. Ele diz que é algo que acompanhou quando criança, quando não tinha nada além de quadrinhos para se distrair uma vez por semana. Talvez esse seja o motivo que faz com que seu filme Valerian e a Cidade dos Mil Planetas consiga passar um pouco do sentimento de infância, de diversão pela diversão, de faz-de-conta, encostando até no que eu classificaria como a “magia Disney” em alguns momentos da trama.
Para quem espera uma adaptação das HQs para o cinema, vale a pena ressaltar que não é bem isso que você verá. A história contada por Besson foi construída a partir de diversos elementos vistos nos quadrinhos e o diretor acrescenta muito de sua própria versão desse universo, mais do que uma tradução direta da fonte. Para quem espera uma saga no estilo de Star Wars, também fica aí o aviso de que Valerian não é uma aventura épica contra uma força enorme, cheia de super poderes e lutas com espadas. O longa traz uma história simples e temas atuais em uma ambientação diferente (e muito bonita por sinal!).
Algumas cenas têm um tom etéreo e peculiar, como se tivessem saído de um sonho diretamente para a tela do cinema. Os aliens são interessantes e bem distintos uns dos outros, com as mais diferentes formas e cores. E por falar em cores, o longa é extremamente variado em seu visual, indo desde o clean até o tropical num piscar de olhos — os planetas visitados pelos personagens são bem diferentes entre si, e cada área de Alpha tem uma identidade bastante particular, ainda que a maioria delas apareça por poucos segundos na tela.
Mas o que o filme tem de bonito, os diálogos têm de ruim. A repetição incessante do nome dos protagonistas irrita e diversos momentos poderiam ser facilmente substituídos por expressões faciais ou completamente retirados. Dane DeHaan (Valerian) e Cara Delevingne (Laureline) não ganham tanto destaque quanto deveriam e dependem muito mais do script do que de suas atuações para se mostrarem como os protagonistas da história. O foco por muitas vezes é roubado pelos Pearls, aliens pacíficos que o diretor descreve como “perfeitos” — eles são tão perfeitos que os poucos minutos que têm na telona são os mais memoráveis, salvo uma ou outra cena de Valerian e Laureline.
Laureline, inclusive, é uma das mulheres que Besson tem como modelo para suas personagens femininas nada indefesas que vemos em O Quinto Elemento e Lucy. No longa, ela transparece confiança e atitude, ainda que por vezes precise demonstrar as qualidades através de diálogos e falas que parecem estar lá só para esse propósito (e que quando não está salvando seu companheiro, está gritando “Valerian!” para ser salva por ele).
O protagonista que dá o nome ao filme, por outro lado, está bem apagado e não mostra suas principais características. Ao invés de mostrar Valerian como um mulherengo e de fazê-lo se portar como tal, o longa opta por colocar uma cena com os personagens falando sobre isso e depois abandona o assunto. Mesmo quando está realizando feitos incríveis e resgatando Laureline das garras dos aliens malvados, o que vemos é apenas arrogância. E desde o começo, a importância de sua parceira fica muito clara, o que faz com que a gente se pergunte o motivo da decisão de chamar o filme apenas de “Valerian” e não de “Valerian e Laureline” como nos quadrinhos.
A história trata de temas atuais, de decisões difíceis e corrupção. As cenas de ação existem e até divertem, mas não são o foco do longa: Besson e DeHaan afirmaram que, na verdade, Valerian é uma história de amor, mas não só no sentido romântico da coisa. A jornada dos protagonistas, e principalmente do próprio Valerian, é sobre descobrir o amor e como demonstrá-lo para as pessoas. O jeito com que isso se desenrola é meio clichê, meio batido, mas no final, o resultado é positivo.
O filme todo dá a impressão de que muito poderia ter sido mostrado e não dito, mas não chega a estragar completamente a experiência. Valerian é um filme com bom coração, que te deixa mais leve depois de assistir. Pessoalmente, eu me diverti muito mais do que esperava enquanto assistia às peripécias da dupla e deixava o universo adaptado por Luc Besson me maravilhar. O longa não é impecável, mas a mensagem final do filme é muito bonita e eu acredito que valha a pena ser vista.